• Larissa Gobbo

#DiaMundialDaÁgua: lições que ainda não aprendemos


Hoje, dia 22 de março, comemora-se o #DiaMundialdaÁgua e em pleno século XXI lutamos para ter uma relação equilibrada entre cidades, pessoas e uso dos recursos naturais. Seria isso é possível ou estamos falando de utopia? E de onde deveriam vir as mudanças que tanto precisamos?



Todo verão no sudeste brasileiro é a mesma coisa: enchentes, rio transbordados e ruas alagadas impossíveis de distinguir, todo tipo de lixo boiando e amontoado cidade afora, pessoas desalojadas, encostas desmoronando, fatalidades e governantes com inúmeras explicações, mas a verdade é uma única: as cidades brasileiras não estão preparadas para as chuvas - seja no excesso ou na falta delas.

Esse problema é complexo e todos temos uma parcela e um papel nesse processo

  • Estamos falando de gestores públicos eleitos, despreparados e sem conhecimento de ferramentas de urbanismo e planejamento urbano sustentável.

  • Vivemos ainda na época onde a política concreto prevalece à preservação do verde, e à permeabilidade, afetando inclusive a qualidade de vida nos centros urbanos que é baixíssima: a taxa de área verde por cada habitante em SP é apenas 16m2, enquanto a indicação mínima da OMS é de 36m2.

  • A população parece não querer entender que mudanças são necessárias e a maior parte ainda prefere enfrentar as consequências de más ações a mudar hábitos, como o procurar por uma lixeira ao invés de jogar o lixo no chão, por exemplo. Algo que parece simples e lógico e que tem grande parcela de contribuição em grandes problemas urbanos. 

A população jovem já entendeu que se nada for feito e mudanças reais implantadas hoje, terão que lidar em suas vidas adultas com a realidade da falta de água, desastres ambientais e mais - muito mais: uma rápida pesquisa na internet e concluímos que isso já é uma realidade, a exemplo dos resultados das grandes tempestades de verão em capitais, como São Paulo.

Mas, se é a chuva algo constante, rotineiro e que se repete sempre a cada verão, porque as cidades continuam ano a ano a mostrar uma ineficiência e despreparo incríveis para lidar com esse assunto (a água)?

Os dois extremos: água em excesso e em falta


"Entre Rios" é um documentário feito por estudantes do SENAC/SP e mostra um pouco do panorama histórico da relação entre cidades e recursos hídricos e mostra a origem de alguns dos principais problemas da capital paulistana relacionados às enchentes e o excesso de água. Feito em 2009, é um exemplo claro de que em 10 anos nada mudou: ações imediatista e más decisões somadas à falta de planejamento urbano e ambiental e ausência de políticas públicas com visão de longo prazo, afetam o cotidiano da maior metrópole brasileira, São Paulo.

No outro oposto está a época de estiagem onde a falta da água antes em abundância gera imensos problemas de abastecimento da população: quem não se lembra da crise hídrica de 2013 a 2016 e os reservatórios da capital paulista operando em níveis mais do que críticos, utilizando o chamado volume morto? Os resultados são sentidos até hoje e enquanto a expectativa de normalização do sistemas gira em torno de 20 anos, a cidade parece não ter aprendido com a experiência de 3 anos atrás.


Uma realidade que não pode ser ignorada

Até 2050, a expectativa da ONU é de que 92,4% da população brasileira resida nas cidades - o maior crescimento entre as nações latino americanas. Continuaremos a negligenciar e ignorar a questão do meio ambiente, preferindo lidar com o resultado de catástrofes previsíveis ao invés de usufruir da qualidade de vida nos centros urbanos?

Quanto custa os cofres públicos e à população lidar com os prejuízos de grandes enchentes e estiagens? Até quando o pensamento retrógrado e antiquado prevalecerá e continuaremos a optar por soluções imediatistas e, aparentemente, mais baratas a curto prazo?

Repito, tudo está ligado à única questão: desenvolvermos uma relação saudável e equilibrada entre cidades, pessoas e consumo dos recursos naturais. É uma questão educacional e obrigação de todos, sem exceção - pessoas, famílias, educadores, empresas e governantes. Não dá mais para ignorar esse fato.


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